sexta-feira, 4 de março de 2011

Valias mais que muitos :$


Podias até ser um simples cão para muitos, mas para mim eras como um melhor amigo. Sempre que estava mal parecia que percebias e vinhas ter comigo. Lembro-me do primeiro dia que te tive comigo, sinceramente não me lembro do dia nem do mês, só sei que foi nas férias de Verão de há quatro anos. Estava a dormir e o meu irmão bateu á janela, muito feliz a dizer que tínhamos um cão. Eu fiquei boquiaberta, pois os meus pais diziam que não queriam nenhum cão, porque estavam poucas vezes em casa, que era demasiado nova e que ao início te ia tratar super bem e que depois ia "cagar" para ti, mas afinal nada disso aconteceu, vivi os melhores três anos e meio contigo, sei que nesse pouco tempo errei, pois tu eras o único que não me julgavas e que me punhas um sorriso na cara, sei que pode parecer impossível mas tu fazias umas figuras tão giras, que eu só sabia era rir. Lembro-me dos bons momentos mas também não me esqueço dos maus, muito menos do pior. Lembro-me de andar de patins e estares a meu lado, lembro-me de acabar de jantar e irmos correr para o meio das ervas, lembro-me de estar a jantar e me estares a pedir e eu acabar sempre por ceder, lembro-me de implicar contigo e puxar-te o rabo, lembro-me de quando vinha das férias do Norte tu ficavas super alegre em ver-me e até mesmo de estar nessas férias e a minha mãe querer despedir-se e eu a mandar beijinhos para ti e perguntar como é que estavas :$
Mas sei que tudo o que é bom acaba depressa :s Percebi isso da pior forma possível, percebi isso com a tua morte, muitas pessoas dizem que ás vezes para aprendermos algo temos de sofrer e muito. Lembro-me daquele triste dia como se fosse ontem, tinha passado a tarde no Campera, com a Liliana, o Júnior, o Tadeu e o Zé cigano, tinha tido uma tarde bué simpática. Quando cheguei ás Quintas, já de noite. Eu, a Liliana e o Tadeu fomos dar umas voltas, tinha-te dito para ires para o café, porque estavam muitos carros a passar e tinha medo que fosses atropelado, maldita a hora em que tive esse pensamento. Passados uns minutos o Gonçalo veio ao meu encontro a dizer que o Fúria tinha sido atropelado, eu não queria acreditar. Fui atrás dele e vi muitas pessoas juntas, quando dei conta vi o meu irmão a chorar contigo ao colo, ele disse-me "olha o que fizeram ao Fúria", dei-te uma vestinha, mas a minha vontade era agarrar-te e nunca mais largar-te, a minha mãe tirou-me dali, por respeito tenho-te enterrado no meu quintal. Durante quatro dias depois da tua morte consegui parar de chorar. Por muito que pense que três anos é muito percebi que é muito pouco. Percebi que o tempo é sempre pouco para dizermos o que sentimos por alguém. Juro-te que eras único e que se pudesse voltar atrás voltava. Podem dizer que eras um simples cão e que existem muitos mais, mas eu não acredito nisso, não foi á toa que apareceste abandonado á minha porta de casa e que ficas-te connosco. Ainda hoje choro por ti, estou a chorar neste preciso momento em que estou a escrever isto. Juro-te que por muito que memórias tuas se apaguem vai haver sempre qualquer coisa que me vai acompanhar na minha vida.

Sem comentários:

Enviar um comentário